Governo de Unidade Nacional!
Com que fundamento?
Passam-se
24 anos depois das reformas político-legais ocorridas em 1990 com as alterações
na constituição de 1975. A constituição de 1990 trouxe a Moçambique a separação
de poderes, a governação local e acima de tudo a democracia, consubstanciada no
multipartidarismo. Surgia então com esta constituição, um novo cenário político
em Moçambique, o jogo político estendia-se a mais de um actor (o partido no
poder). Desde a introdução do multipartidarismo em Moçambique foram realizadas
cinco eleições gerais, as primeiras em 1994, as segundas em 1999, as terceiras
em 2004, as quartas em 2009 e as quintas bem recentemente realizadas no dia 15
de Outubro de 2014.
Desde
a introdução do multipartidarismo em moçambique até o ano de 2009, o cenário político
fora marcado pela existência de duas forças políticas activas, a FRELIMO e a RENAMO,
este ultimo sempre lutara por um lugar mais expressivo na arena governamental
do país, tendo conseguido não mais que alguns assentos parlamentares e direções
de algumas autarquias, que viera a perde-las posteriormente. Em 2009 surge no
país mais uma força política activa, o MDM, este partido viera acrescer mais expressão
na disputa política do país, tendo conseguido alguns assentos parlamentares com
as eleições de 2009. Deste modo, com as eleições de 2009 a Assembleia da República
estendia-se a mais de dois actores.
Os
resultados das eleições nunca foram assumidos como justos pelo maior partido da
oposição (a RENAMO), sob alegação de ocorrência de fraudes generalizadas. Um particular
a ter em conta nas ultimas eleições ocorridas no dia 15 é que para alem da RENAMO
como antigo reivindicador dos resultados, associa-se então a terceira maior
força política do país reclamando do resultados preliminares e alegando ter havido
irregularidades generalizadas, com maior enfoque a fraudes.
Afonso
Dhlakama e Daviz Simango, presidentes dos maiores partidos da oposição, RENAMO e
MDM respectivamente já apareceram a público mostrar sua posição relativamente
aos resultados eleitorais até então divulgados. As duas personalidades compartilham
a opinião de que o processo eleitoral como um todo não foi transparente, tendo
sido caracterizado por tumultos e fraudes generalizadas.
Citando
o Txeka, em conferência de imprensa realizada no dia 18 de Outubro em Maputo, o
presidente da RENAMO, dissera que “não houve eleições, houve fantochada”, em um
sinal claro de reprovação do processo eleitoral como um todo. Aliado a isso,
Dhlakama afirmara ainda que a solução dos problemas passava por negociações para
com o Governo, questionado pelo Txeka se as negociações fundamentavam-se na criação
de um governo de coligação, este respondera nos seguintes termos “NÃO SEI”.
Os
pronunciamentos do presidente da RENAMO relativamente à “negociações” tem
suscitado vários debates e suposições, a mais frequente e expressiva é a de que
o Dhlakama queira negociar um governo de coligação ou governo de unidade
nacional. Mas então o que é isso de
governo de coligação?? É um governo composto por actores provenientes de
mais de um partido ou coligações políticas, este governo é decorrente de
acordos entre os as coligações políticas ou demais actores políticos. Este tipo
de governo é criado com o objectivo de superar divisões políticas ou mesmo
éticas profundas em um país.
Propor
um governo de coligação (se esse for o caso) pode mostrar-se ainda prematuro
pois, os resultados oficiais não foram ainda divulgados, acima de tudo,
espera-se que os partidos da oposição mostrem provas concretas da ocorrência de
fraudes, encaminhando-as às instâncias de gestão do contencioso eleitoral, e
caso sejam provadas as alegações da oposição, sendo necessário recorrer-se a
uma segunda volta das eleições. Ademais, a criação de um governo de coligação vem
a significar não mais que a desvalorização de todo processo eleitoral, pelo que,
este governo não é criado na base da logica eleitoral e legal, mas sim na base
de acordos entre os actores políticos, não envolvendo desta forma o cidadão,
que é a peça chave da manutenção e desenvolvimento do processo democrático de
um país.

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