quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Um apelo a ÉTICA à geração ON LINE



Um apelo a ÉTICA à geração ON LINE

O texto desenvolvido nas linhas abaixo é fruto de uma inquietação minha e que fora fortalecida com o debate organizado pelo IREX nas suas instalações, sob o tema “Redes sociais e jornalismo: oportunidades e desafios para os mídea ” do qual tive oportunidade de fazer-me presente.
O raciocínio aqui por mim explanado ganha suporte no conceito de ética trazido por Robert B. Denhardat (1995), o qual pressupõe que a ética é um sistema pelo qual se certifica aquilo que é certo e aquilo que é errado e se age de acordo com o que é certo, ademais, a ética implica o uso da razão para determinar o curso adequado de cada acção humana.
Não obstante a isso, João Casar (2008), afirma que a ética é sempre uma prática, mas mais do que isso, é mesmo uma aposta de adesão pessoal. O ponto de partida é sempre ser ético. Por os meios, procurar, desejar ser bom. A ética parte de uma vontade bem orientada, firme e fiel de ser bom. Assim, de forma resumida, percebe-se que era ético é agir racionalmente, orientando-se a fazer o que é certo. Mas o que é certo? Neste contexto, o certo estaria consubstanciado a actitudes orientadas para o bem e que não ferem em momento algum a outrem.
Trago aqui o conceito de ética com o objectivo que fazer o casamento para com as redes sociais. O fundador do Facebook, Mark Zuckeberg afirma que “neste momento, com as redes sociais e outras ferramentas online, 500 milhões de pessoas tem um meio pelo qual possam expressar o que pensam e o que lhes vai a mente”. Em Moçambique estima-se que dos aproximadamente 23 milhões de habitantes, apenas aproximadamente 5 % da população tem acesso a internet.
Não obstante a isso, mesmo em número relativamente reduzido comparativamente ao total de habitantes do país, a internet e as redes sociais tem se revelado muito potentes, quer sob o ponto de vista de mecanismo de exercício da liberdade de expressão, estabelecimento e fortalecimento das relações pessoais, fortalecimento e expansão de negócios pelo país e no mudo a fora. É tudo característico da globalização.
Existe actualmente em Moçambique um novo conceito, mas com génese nos EUA. Este conceito é orientado para o fortalecimento da voz e expressão do cidadão, o conceito de cidadão-repórter, que fora implementado pelo Olho do Cidadão (organização da qual faço parte). O cidadão-repórter é um individuo sem formação académica na área de jornalismo com uma vontade enorme de participação na esfera social, apresenta conteúdos informativos (de texto, imagem e som), onde exprime novas perspectivas e informação que, de outro modo não teria visibilidade na esfera pública (Olho do Cidadão).
O cidadão-repórter tem as redes sociais e outras plataformas online como campo de exposição dos seus relatos e reportagens. Vários são os cidadãos moçambicanos que vem exercendo o trabalho de cidadão-repórter, na maioria dos casos de forma inconsciente, isto é, não sabendo que é um cidadão-repórter. Nas redes sociais a informação circula muito rápido, muitas vezes muito mais rápido que nos meios de comunicação tradicionais, pelo que, o cidadão presencia um certo fenómeno de interesse público tira a fotografia e faz o relato e publica na rede, e muito rapidamente milhões de pessoas tem acesso a informação por ele veiculada.
A meio disso, o que é veiculado nas redes sociais representa a forma de ser e estar de um povo, e o povo moçambicano não é exceção (mesmo com o acesso reduzido a internet), é de certa forma representado nas redes sociais e para o mundo. Ademais, tem se tornado deveras preocupante como alguns cidadão tem veiculado a informação nas redes sociais, percebe-se que a ética em algum momento é soterrada pela vontade por vezes enorme de fazer chegar a informação a comunidade online com muita rapidez, e aliado a isso, está o querer ganhar protagonismo a meio de vários seguidores, amigos e a comunidade online em geral.
Em momentos, testemunhamos casos como o do pastor Magaia, a morte do Danger man e vários outros para não prolongar. Até certo ponto, o preocupante não chega a ser a informação em sí, mas a forma como a informação é veiculada, as imagens tem sido deveras chocantes, que de certo modo podem e sem dúvidas ferem a sensibilidade de muitos cidadãos, e em particular a família e outras pessoas mais próximas do individuo ou lesado objecto de noticia. Em cassos como estes, é mais que evidente que a ética andou distante, nestes termos, faz-se necessário que sejam resgatados os valores éticos, que a racionalidade sobreponha-se a emoção, que a informação seja veiculada depois de confirmada a sua veracidade e uma posterior reflexão das possíveis consequências que a mesma poderá causar a várias sensibilidades que também se servem das redes sociais.

Enfim, as redes sociais são um mecanismo potente de disseminação de informação útil e de utilidade pública, o que faz-se necessário é o casamento entre estas plataformas tecnológicas e os valores éticos, esta é uma fórmula vantajosamente consistente que nos permitirá tirar mais valor acrescido das redes sociais.

O errado é errado mesmo que todo mundo esteja fazendo
O certo é certo mesmo que ninguém esteja fazendo” de Filipa Amadiji


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