Um apelo a ÉTICA à
geração ON LINE
O
texto desenvolvido nas linhas abaixo é fruto de uma inquietação minha e que
fora fortalecida com o debate organizado pelo IREX nas suas instalações, sob o
tema “Redes sociais e jornalismo: oportunidades e desafios para os mídea ” do
qual tive oportunidade de fazer-me presente.
O
raciocínio aqui por mim explanado ganha suporte no conceito de ética trazido
por Robert B. Denhardat (1995), o qual pressupõe que a ética é um sistema pelo
qual se certifica aquilo que é certo e aquilo que é errado e se age de acordo
com o que é certo, ademais, a ética implica o uso da razão para determinar o
curso adequado de cada acção humana.
Não
obstante a isso, João Casar (2008), afirma que a ética é sempre uma prática,
mas mais do que isso, é mesmo uma aposta de adesão pessoal. O ponto de partida
é sempre ser ético. Por os meios, procurar, desejar ser bom. A ética parte de
uma vontade bem orientada, firme e fiel de ser bom. Assim, de forma resumida,
percebe-se que era ético é agir racionalmente, orientando-se a fazer o que é
certo. Mas o que é certo? Neste contexto, o certo estaria consubstanciado a
actitudes orientadas para o bem e que não ferem em momento algum a outrem.
Trago
aqui o conceito de ética com o objectivo que fazer o casamento para com as
redes sociais. O fundador do Facebook, Mark Zuckeberg afirma que “neste
momento, com as redes sociais e outras ferramentas online, 500 milhões de pessoas
tem um meio pelo qual possam expressar o que pensam e o que lhes vai a mente”.
Em Moçambique estima-se que dos aproximadamente 23 milhões de habitantes,
apenas aproximadamente 5 % da população tem acesso a internet.
Não
obstante a isso, mesmo em número relativamente reduzido comparativamente ao
total de habitantes do país, a internet e as redes sociais tem se revelado
muito potentes, quer sob o ponto de vista de mecanismo de exercício da
liberdade de expressão, estabelecimento e fortalecimento das relações pessoais,
fortalecimento e expansão de negócios pelo país e no mudo a fora. É tudo
característico da globalização.
Existe
actualmente em Moçambique um novo conceito, mas com génese nos EUA. Este
conceito é orientado para o fortalecimento da voz e expressão do cidadão, o
conceito de cidadão-repórter, que
fora implementado pelo Olho do Cidadão (organização da qual faço parte). O
cidadão-repórter é um individuo sem formação académica na área de jornalismo
com uma vontade enorme de participação na esfera social, apresenta conteúdos
informativos (de texto, imagem e som), onde exprime novas perspectivas e
informação que, de outro modo não teria visibilidade na esfera pública (Olho do
Cidadão).
O
cidadão-repórter tem as redes sociais e outras plataformas online como campo de
exposição dos seus relatos e reportagens. Vários são os cidadãos moçambicanos
que vem exercendo o trabalho de cidadão-repórter, na maioria dos casos de forma
inconsciente, isto é, não sabendo que é um cidadão-repórter. Nas redes sociais
a informação circula muito rápido, muitas vezes muito mais rápido que nos meios
de comunicação tradicionais, pelo que, o cidadão presencia um certo fenómeno de
interesse público tira a fotografia e faz o relato e publica na rede, e muito
rapidamente milhões de pessoas tem acesso a informação por ele veiculada.
A
meio disso, o que é veiculado nas redes sociais representa a forma de ser e
estar de um povo, e o povo moçambicano não é exceção (mesmo com o acesso
reduzido a internet), é de certa forma representado nas redes sociais e para o
mundo. Ademais, tem se tornado deveras preocupante como alguns cidadão tem
veiculado a informação nas redes sociais, percebe-se que a ética em algum
momento é soterrada pela vontade por vezes enorme de fazer chegar a informação a
comunidade online com muita rapidez, e aliado a isso, está o querer ganhar
protagonismo a meio de vários seguidores, amigos e a comunidade online em
geral.
Em
momentos, testemunhamos casos como o do pastor Magaia, a morte do Danger man e
vários outros para não prolongar. Até certo ponto, o preocupante não chega a
ser a informação em sí, mas a forma como a informação é veiculada, as imagens
tem sido deveras chocantes, que de certo modo podem e sem dúvidas ferem a
sensibilidade de muitos cidadãos, e em particular a família e outras pessoas
mais próximas do individuo ou lesado objecto de noticia. Em cassos como estes,
é mais que evidente que a ética andou distante, nestes termos, faz-se
necessário que sejam resgatados os valores éticos, que a racionalidade
sobreponha-se a emoção, que a informação seja veiculada depois de confirmada a
sua veracidade e uma posterior reflexão das possíveis consequências que a mesma
poderá causar a várias sensibilidades que também se servem das redes sociais.
Enfim,
as redes sociais são um mecanismo potente de disseminação de informação útil e
de utilidade pública, o que faz-se necessário é o casamento entre estas
plataformas tecnológicas e os valores éticos, esta é uma fórmula vantajosamente
consistente que nos permitirá tirar mais valor acrescido das redes sociais.
“O errado é errado mesmo que todo mundo
esteja fazendo
O certo é certo mesmo
que ninguém esteja fazendo” de Filipa Amadiji



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